História do Ford Galaxie
A linha do tempo recheada de curiosidades, versões e detalhes que fazem do maior carro já produzido no Brasil um veículo único.
A Origem Americana e o Elo de Ligação
O maior carro já produzido no Brasil tem suas raízes nos Estados Unidos. Em 1959 o nome Galaxie 500 surge anunciando a versão top de linha do sucesso Fairlane. O nome é uma alusão à era da corrida espacial e o número 500 é inspirado na vitória das 500 milhas de Daytona (1958).
Durante a década de 60, os maiores motores da linha Ford trouxeram força ao carro, variando de 200cv a mais de 400cv (nos "small e big blocks"). O modelo recebeu diversas opções de carrocerias: Sedan, Sport Sedan, Coupé, Conversível, Pick-Up, Ranchero, Station Wagon e Ambulance.
Entre os mais nostálgicos está o 7 litre (motor 427, 428 ou 429), responsável pelo sucesso na Nascar com o lema “corra no domingo e venda na segunda”. Em 1974 o nome Galaxie se aposenta nos EUA, substituído pelo LTD e posteriormente pelo Crown Victoria.
O Elo de Ligação: Em 1966 o Galaxie americano serve de inspiração para sua versão "tupiniquim". Por aqui a única carroceria utilizada foi a Sedan e a motorização escolhida foi o motor V8 272, já usado nos caminhões da marca, com alguns detalhes estéticos substituídos para melhor aproveitamento da linha de produção.
Nascimento no Brasil (1967)
- 5,40m de comprimento e 1,99m de largura
- Motor V8 272 de 164cv
- Tanque de 76 litros atrás da placa
- Câmbio de três marchas
- Ausência de retrovisor externo (não obrigatório)
As Cores Galáticas & Detalhes
A carroceria de 1967 trouxe pinturas em oito tons sólidos com alusões espaciais: Vermelho Marte, Bege Terra, Verde Júpiter, Preto Sideral, Cinza Cósmico, Azul Infinito, Azul Ágena e Branco Glacial. Opcionalmente, a capota poderia vir na cor Branco Glacial (efeito “saia e blusa”).
- Calota pequena cromada (cobre porcas)
- "Supercalotas" de alumínio cobrindo a roda
- Frisos de alumínio nos contornos e pára-lamas
- Adorno "Mira" no capô com 3 leões
- Lanternas traseiras com centro branco (mira)
Interior e Prazer ao Dirigir
A tapeçaria era um show à parte. Bancos inteiriços em vinil ou tecido com relevo em "costura eletrônica". Cores: Preto, Bege, Azul ou Vermelho, formando 52 combinações com a carroceria.
- Direção hidráulica e ergonomia perfeita
- Luzes-espia para temperatura e óleo
- Freio de estacionamento no pé
- Clipe para documentos no porta-luvas
- Abertura do quebra-vento por manivela
Linha do Tempo: Ano a Ano
O Galaxie no Brasil
No dia 16 de Fevereiro o primeiro Ford Galaxie 500 sai da linha de montagem, após brilhar no V Salão do Automóvel. Marca época por ser o primeiro automóvel de passeio nacional da Ford (que desde 1919 só montava carros e fabricava caminhões/utilitários no Brasil).
A Saga Continua
O carro manteve-se praticamente inalterado, a não ser pelo painel que deixou de ter gomos "retos" e ganhou gomos "acolchoados". O friso polido estriado foi substituído por um liso.
A Família Cresce (O Ford LTD)
A antena passa a ser fixada no pára-lama esquerdo. O Galaxie 500 ganha seu primeiro parente: o Galaxie LTD, com teto de vinil. Opcionais de ar-condicionado e câmbio automático (inaugurando a opção entre os nacionais). O LTD ganha o novo motor V8 292 de 190cv.
Em Busca da Simplicidade
Chega a versão básica, chamada apenas de Galaxie (Standard). Sem direção hidráulica, rádio, relógio ou ar condicionado. Calotas pequenas e ausência de frisos. No modelo LTD, abaixo do friso de contorno, as "caixas de ar" eram pintadas de preto fosco, ganhando o apelido de "faixa-preta".
Um Novo Top de Linha: Nasce o Landau
O LTD passa a se chamar LTD/Landau, com vigia traseira menor e adorno em "S" na coluna C (lembrando carruagens francesas). A linha recebe novas lanternas traseiras com três gomos, apelidadas de "Capelinha", inspiradas no Mustang.
O Fim da Simplicidade
Último ano da despojada versão popular do Galaxie. A traseira mais alta com lanternas "capelinha" quadradas sai de fabricação, preparando o terreno para uma grande mudança no ano seguinte.
Tradição e Um Novo Desenho
Novo conjunto ótico com setas em molduras de zamaq. No 500, a grade vai "de farol a farol"; no LTD/Landau a grade é reduzida e vertical. O capô ganha ressalto em formato de funil. A traseira recebe nova lanterna retangular de perfil inclinado.
A Consolidação e o Fim de Uma Era
Em 74, o 500 fica mais espartano por dentro. O ano de 1975 marca o final da época de ouro da "frente em pé", sendo o último ano com os faróis dispostos na vertical (desenho herdado do Galaxie 66 americano).
De Cara Nova (A Maior Revolução)
Divisor de águas: faróis dispostos na horizontal, inspirados nos Lincoln americanos. Traseira mais baixa com três pequenos retângulos vermelhos. A família desmembra em três: Galaxie 500 (grade horizontal), LTD (intermediário) e Landau (top, vigia pequena, teto prata continental). O enfeite mira de capô agora fica deitado.
A Volta do Vinil Preto e Novas Fases
Em 77, o Landau volta a ter o teto de vinil preto de série. Em 78, surge a cor Cinza Executivo. O ano é dividido em Fase 1 e Fase 2 (esta última ganha tapeçaria em veludo, volante de quatro raios e perde diversos cromados).
Comemoração em Grande Estilo (60 Anos)
Saída do ar condicionado integrada ao painel. Ignição eletrônica substitui platinado. Surge o Landau a álcool (primeiro do mundo, doado ao Pres. Figueiredo). Lançada a Série Especial (SE) Vermelho Scala com 300 unidades. Despedida do Galaxie 500.
Somente o Topo
Em 80, Landau apenas automático. Em 81, o LTD sai de linha. O Landau recebe nova "traseira branca" (régua cinza abrangendo luzes de ré) e para-choque liso. A maioria passa a sair movida a álcool e com interior azul.
O Final de Uma História
Em 82 o carro perde as garras dos para-choques e ganha uma mira no painel. Em Fevereiro de 1983, o último Ford Galaxie Landau deixa a montagem (apenas 125 produzidos no ano). Substituído pelo Del Rey, o Galaxie deixa saudades eternas em estilo e paixão.
A História Continua Viva!
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